O Príncipe da Valáquia
Uma das histórias mais famosas da literatura sobre vampirismo é Drácula, de Bram Stoker, que influenciou, e ainda influencia, vários outros livros e filmes do gênero.
O romance tornou-se um sucesso desde sua primeira publicação em 1897, estendendo-se até os dias de hoje, sem nunca deixar de ser reeditado. Talvez o segredo do sucesso de Drácula esteja no fato de que, apesar de Bram Stoker Ter escrito uma ficção, pesquisou bastante para baseá-la em lendas já existentes e fatos históricos, dando a impressão de ser uma história verídica. Suas principais informações foram obtidas através de investigações no acervo do Museu Britânico, de Londres e de longas conversas com os amigos de vasta cultura e conhecimento.
Lendas sobre a existência de terríveis criaturas chupadoras de sangue já são mencionadas nas antigas literaturas egípcia e grega. A crença nestes seres deve ter nascido devido à percepção de que os moribundos enfraquecem com a perda de sangue. Assim, pessoas de pouca cultura devem ter concluído que beber sangue restaurava as forças ou, até mesmo, que o sangue dos vivos podia ressuscitar os mortos.
Mas a principal fonte para compor o mito sobre vampirismo em Drácula foram as crendices profundamente enraizadas da Romênia rural. Segundo a religião ali dominante, a da Igreja Ortodoxa Oriental, as pessoas que morriam excomungadas ou sob maldição eram transformadas em mortos-vivos (chamados de Moroi) até serem absolvidas pela Igreja.
Diziam ainda as lendas romenas que certas pessoas, como as crianças ilegítimas ou as não-batizadas, as bruxas e o sétimo filho de um sétimo filho, estavam condenadas a serem vampiros. Também acreditavam na existência de pássaros demoníacos, conhecidos como Strigoi, que só voavam de noite, ávidos por carne e sangue humanos.
Além de trazer a morte para a vítima atacada, os vampiros também eram considerados os causadores da peste, sendo desta maneira extremamente odiados e temidos.
Acreditava-se também que vampiros odiavam alho; assim os aldeões esfregavam o tempero em todas as portas e janelas para protegerem-se de possíveis ataques noturnos dos bebedores de sangue. Em algumas aldeias quem se recusa a comer alho torna-se suspeito de vampirismo, especialmente estranhos recém-chegados.
Mas a lenda mais curiosa está presente na figura do vampiro principal da obra, o Drácula. O personagem foi baseado no histórico Vlad Tepes, o príncipe tirano que reinou durante o século XV, na Valáquia, território montanhoso próximo à Transilvânia, conhecido por empalar cruelmente seus inimigos. Segundo o livro, o príncipe Vlad foi amaldiçoado após blasfemar contra Deus quando sua amada morreu, tornou-se um vampiro poderoso que, alimentando-se de sangue humano, pôde prolongar sua existência como uma criatura das trevas durante vários séculos.
Stoker escolheu a figura de Vlad Tepes para encarnar seu vampiro, pela forma que o príncipe entrou para a história. Ele ficou conhecido como Vlad, o Empalador. O empalamento é uma morte bastante cruel, o corpo da vítima é atravessado por uma grande estaca de madeira ou de ferro que se espeta no chão, deixando-a agonizar até a morte. Para aumentar o sofrimento, o príncipe mandava cegar as pontas das estacas.
Tudo indica que o verdadeiro Vlad era realmente cruel e sádico. Dizem as lendas que sentia prazer ao torturar seus inimigos e que fazia refeições tranqüilamente enquanto seus servos esquartejavam cadáveres. Existe a história de emissários da corte turca que ousaram conservar os turbantes na sua presença e o príncipe ordenou que lhes fossem pregados os crânios. Vlad também condenava pessoas do seu povo para serem castigadas. Elas podiam ser esfoladas, mutiladas, cozidas vivas ou mortas na fogueira.
Desta forma, mesmo sendo famoso e aclamado por toda a Europa cristã, devido ao seu sucesso na guerra contra os turcos, seu próprio povo, cansado das crueldades de seu tirano, forjou uma carta sugerindo que o príncipe desertaria para o lado do inimigo. Vlad foi preso e passou 12 anos no cárcere.
Na prisão fez amizade com os guardas, que, amavelmente, lhe forneciam ratos e outros pequenos animais com os quais se divertia empalando-os na cela.
Depois de solto voltou ao trono, sendo morto pouco depois em uma batalha contra os turcos.
Um detalhe interessante a cerca da história de Vlad, o Empalador, era que Drácula foi realmente seu apelido enquanto monarca. O nome era derivado do símbolo de sua família, o dragão (Dracul), Dracula significa filhote de Dragão. Mas, por coincidência, igualmente pode significar Demônio.
Outro fato curioso a respeito da história de Vlad foi a sua semelhança física com seu pai. Como o rapaz fora capturado pelos turcos na infância e mantido refém até a morte de seu pai, o povo cheio de crendices sobrenaturais, acreditava que o filho ainda era o pai, atribuindo-lhe a imortalidade.
Com todas estas histórias e lendas sobre o príncipe, Bram Stoker percebeu que Vlad era a personagem real perfeita para encarnar um vampiro e, através de sua obra, tornou-se o príncipe valaquiano realmente imortal.
A LENDA DOS VAMPIROS
As histórias acerca dos mortos-vivos datam desde as civilizações da Assíria e Babilônia. Registram-se casos de vampirismo na China, bem como em regiôes do norte da África. Na Grécia, assim como por todo mar Egeu, encontram-se lendas que falam de espectros, cujos cadáveres não podendo corromper-se no túmulo, voltam para o mundo dos mortais, passando a alimentar-se do sangue dos vivos. Estas criaturas são os Broncolaques, ou Vroncolaques.
O termo Vampiro é, segundo alguns estudiosos, relativamente novo, surgindo por volta do século XVIII. Sua origem parece ser eslava. Em sua forma vampir, é invariável nos idiomas húngaro, russo, theco, sérvio e búlgaro. São estes povos, os eslavos e balcânicos, que manifestam o maior número de lendas, sobre este terrível flagelo. Afirma-se que, desde o século X, circulam histórias de mortos vivos nesta região.
Seres deste tipo são encontrados na Turquia e países Árabes, sendo conhecidos como Gloles, na Europa são conhecidos como Vampiros.
A Terra dos Vampiros
A Europa Oriental é uma região misteriosa e complexa, tanto política como geograficamente. O termo Europa Oriental é recente e definia-se basicamente ppor um critério político, na medida em que abrangia os países do chamado "Socialismo Real" (Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Romenia, Bulgária, Iuguslávia, Albânia e a parte européia da URSS), mais a Grécia e parte da Turquia.
Atualmente verifica-se várias mudanças nesta parte do planeta: a Alemanha Oriental não mais existe. A Tchecoslováquia dividiu-se em duas. A Iuguslávia dividiu-se em vários países e vive uma Guerra Civil. Com o fim da URSS, vários países também surgiram (Estônia, Letônia, Lituania, Bielo Rússia e Ucrânia.)
Mapa Europa
Principais regiões vampirescas da Europa Oriental:
Transilvânia: é a mais famosa região de vampirismo que se conhece. Pertencente à Romênia desde 1918, fez parte do antigo Império Austro-Húngaro.
Valáquia: outra região da Romênia. Antigo principado no sudoeste da Europa, criado no século XVIII. Esteve sob domínio turco de 1460 a 1859, ano em que unificou-se com a Moldávia para formar a Romênia. Faz fronteira com a Transilvânia.
Rutênia: Também conhecida com Ucrânia subcarpática. Antiga região da Thecoslováquia. Foi tomada pela Hungria em 1939. Em 1945, foi cedida a ex- URSS.
Eslováquia: Região da Thecoslováquia de 1918 até 1952, quando declarou-se independente.
Morávia: Antiga província da Thecoslováquia: Sua capital é Brno. Forma hoje com a Boêmia a República Theca.
Boêmia: Histórica região da Thecoslováquia.